sexta-feira, outubro 10, 2008

No teu nome.

Na fúria,
prazer.
Na incerteza,
crueza.
Na saudade,
presença.
No alcance,
lembrança.
No silêncio,
suor.
No abafo,
arrepio.
Na voragem,
lágrima.
Na ansiedade,
desdém.
Na distância,
silêncio.
Na incerteza,
seda.
No suspiro,
azul.
Conjugo.
Tudo.
No teu nome.

terça-feira, agosto 26, 2008

Forjei-me!


Da tua maresia,
feita sabor.
Da tua saudade,
maldição.
Ansiedade,
esgar que é.


De ferro esculpido,
aço inamovível.
E intemporal.


Na resistência
da tormenta.
No horizonte,
no princípio
e no fim,


Inquebrentável,
una,
plena,
total.

Forjei-Te!

À imagem
da sombra,
da memória.
À semelhança
da luz,
e da negra ilusão.

Afinal,
não Forjei-Te.
Engano meu,
Só
Forjei-me!

sexta-feira, julho 25, 2008

Afinal.

Claudia Perotti Multiply


Tudo será.

A tua sede
sedosa pele,
a tua vertigem
gélido calor.
o teu anseio
negro desdém.

Tudo persiste ser.

O teu sentir,
perfume ausente,
o teu vislumbre
cega visão.

A ser, nada será.

Na penumbra
e no limbo,
vou acreditar,
Afinal.

segunda-feira, julho 14, 2008

Que jamais existiu.

foto daqui.

Aveludado.
Suspenso.
Imberbe.
Assim, desnudei-te.

Num oceano de espinhos,
Sem dó,
sem piedade.
Por mim.

Na seda e nos nós
de certezas,
e ilusões.
Fi-lo.

Mas desnudar-te,
à distancia de um olhar,
é nada!
E olhar-te nada é!

Na eternidade do perene,
nunca me cruzei
com a tua saciedade,
feita fome e sede.

Desnudei-te,
no tactear aveludado
dos meus dedos
e no arrepiar
das minhas unhas.

Sofrível inverdade:
esses dedos são de fel.
E tais unhas, lâminas.
Só matam.
A ansiedade,
feito olhar,
Que jamais existiu.

sábado, maio 31, 2008

Sou nada.
Como nada sempre fui.
À luz dos teus devaneios,
o que era não é,
o que seria nunca será.

Sou nada.
E nada serei,
por mais tempos imundos me vejam,
por mais evidências que cegue.

Nada sou.
Nada quero.
Nada sonho.
Nada desejo.
Não sou.
Pois.

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