Terça-feira, Janeiro 10

Que nos guia





Olhando,
translucido.
No apíce
que o nosso Ser,
porto de abrigo
é,
na boa tormenta
que transmuta,
mesmo intempérie
desnudada,
na veludez,
e candura
em que os sussuros,
clamam
surdamente
pela Lua,
estrela Maior
que nos guia.


Segunda-feira, Dezembro 19



Se alguma Luz,
te pode parecer,
na penumbra
 que sou,
e que
tua sombra
duvido
se ilumina,
quero que saibas.

Simplesmente,
que saibas,
porque é
conforto,
já bastante.

Que saibas
Que Te pedi,
assim desse jeito,
tal qual és,
sem tirar nem pôr,
candura e ânsia,
que não alcanço.

Que Te pedi.
A Ti,
aos Deuses,
aos meus
e aos teus,
ao Universo
e ao Cosmos,
que nosso é,
mesmo que não sonhes.

Que fí-lo,
numa carta,
rasurada a lápis,
por escrever,
já sem envelope,
 lacrada,
 só com o agridoce
da nossa alma,
e dirigida
à Mãe Lua,
que a acolheu,
com um sorriso.

Que fí-lo,
e faço-o,
à luz duma estrela,
branca e reluzente,
que limita-se
a desenhar-te,
em tons de azul,
e a soletrar-me
o teu Ser,
melodia que não se cala,
nem fim tem.

Quero que saibas.
Assim mesmo,
mesmo antes
de eu próprio saber,
que és uma constelação,
a minha,
magicada
pelos planetas
em que te ausentas,
para mim.

(para Ti,
mesmo que não (me) sonhes)

Terça-feira, Dezembro 13

Meu



Porventura,
sonhar-te
já é demasiado.

Na imensidão
que os meus dedos
só imaginam,
e não podem,
jamais,
revelar.

Na intemperança
que a lembrança,
em permanência,
dá,
sem olvidar.

Na negação,
doce fingir,
incrédulo querer,
suspiro árido,
 de algodão,
em que te escondes.

É!
Só pode ser.

Tomar-te
no mel dos teus olhos,
nas tormentas
vagas de Outuno
que se quedam,
à luz do farol,
na praia de seixos,
é só um desvario
de verao de Inverno.

 Meu.

Quarta-feira, Novembro 9

Por acontecer







No turbilhão
de efervercêscia
e de oxigénio
que És,
magico-Te.

No tactear
dos meus dedos,
na vibração,
que te anima,
na saudade
que me de ti,
que Sou.

Sabes que,
no ensurcedor
silêncio,
Te adivinho,
em cada traço
nos esgares
e sorrisos
que conténs,
e te trais.

Como Te alcanço
na ponta do meu Ser
que por magia reconheces,
num vendaval que surge,
sem saber donde.

Magia és,
em tons de azul,
celeste.
Por acontecer.

Quarta-feira, Setembro 7

Vens







Vens,
no preciso instante 
em que te ausentas.

Assim,
árida,
seca,
manipulada,
agreste.

Pela tangibilidade,
que não és,
nem aparentes,
mas,
infinitamente,
sentes,
na taciturna
que te mentes.

Assim,
vais,
igualmente,
na penumbra
em que não chegas.

Quarta-feira, Dezembro 29

Do teu sorriso


Empunho,
sem o saber,
uma Luz,
que não me pertence,
nem meu fardo é.

Qual incandescência,
ilumina a ausência,
relativiza a presença,
absoluta, total
e omnipresente.

Qual luminária,
faz erguer no horizonte
a tangibilidade que sou,
em noite iluminada,
pela Lua cheia,
que não se põe.

Luz,
multicolor,
que mesmo o vagar do tempo
contempla na alma,
do teu sorriso.

Quarta-feira, Dezembro 1

ainda


Queiras!

Simplesmente, 
queiras.
E tanto chega,
e chegará,
ao horizonte,
que não alcanças.
Divisarás
a penumbra
que te cobre,
  luz que te despe,
filha de luz,
renascida,
que não se põe.


Queiras!

Entrelaçar-te,
de mim,
nos teus dedos,
brilho,
que te esconde,
leveza,
que te retem,
asas, 
que não voas,
Luz,
que não me dás,
flor de inverno,
que ao Equador não vai.
Ainda.

Sábado, Setembro 25

De ti, sem ti.



Quisesse eu tomar-te,
em mim,
parte de mim,
que já não me pertence.

Aconchegar-te,
no sofrimento e angustia,
Silenciosa e solitária,
revelada por um rio,
de gotejos inauditos,
germinados
no infortúnio do desejo,
e desaguados na estreiteza,
 que somos.

Aconchegar-te
para trazer,
além da pele
e dos sentidos,
a Alma que és,
no fardo que se revela,
Tudo de ti,
sem ti.

Sábado, Setembro 11

Já floresce


Não te olvides.
Com suavidade na veludez,
crua doçura,
nas pétalas,
que agregas,
e nos espartilhos de Luz,
que expandes.

Não te olvides,
nem postergues:
Hoje transparências és,
e elas te são,
moldadas à mão de ferro,
em barro nú,
dum sorriso frágil
à guarda dum Ser, 
alma de margaridas,
penumbras e solistícios.

Lembra-te,
Hoje é vertigem ,
amanha arrepio.
O Sul Norte,
Desconstruir plantar.
 O perfume,
que já floresce.

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