sábado, março 20, 2010

Que minha é.


Na geografia,

nos recantos meus,

que adivinho,

perco-me.

Fatalmente.


Nos traços,

de inocência,

que quis eterna

e que imagino.

E alimento.


Na sombra fina

dum perfil,

na candura

dum Ser.

Que é.


Na memória,

de amendoas doces

e em veludez,

dum esgar,

já saudade.


No meu norte,

perdi-me.

Na luz azul,

da penumbra

da ausencia,

que minha é.

sábado, dezembro 26, 2009

Só sentir



Não sei nada.

Porque não sei.

Porque não posso saber,

Simplesmente.


Sentir?

Penso sentir.

Mesmo o que não sei,

mesmo não sabendo que sinto.

E mesmo, por vezes, sabendo

que nada igualmente sinto.


Mas nada não sei.

Nem tão pouco

que estar ausente é sentir,

que presente foi ontem

e que futuro é hoje.

E que somos,

afinal,

só sentir.

domingo, dezembro 06, 2009

minha


Que paz?

Se só na inexistência,

tudo existe,

e é!


A dor inaudita,

insensitiva sofreguidão,

o perene instante,

parcial eterno,

as totalidades fugazes,

nadas de tudos,

unicos que me são.



Que paz?


Se a tranquilidade,

é a que me dás,

no veludo vermelho,

dum cálice,

de mudez,

cegueira e surdez.

Na ausência

de todos os instantes,

na eterna presença

de cada ausência.


Só minha.

sábado, novembro 28, 2009

ora é


A cada fracção,
no todo sempre.
Na infíma parte,
de cada respirar,
na integra,
de cada descontruir,
fecho nada,
em cada fôlego,
tensamente,
e na saciedade,
dum punho,
disperso,
de míngua
de serenidade,
nos traços,
suaves,
da memória,
da rudeza doce,
que ausência
e tormento
ora é.

terça-feira, novembro 10, 2009

Ou não

No horizonte,
de penumbra,
qual insanidade,
que já é,
nada sobrou,
ou ficou.
Da impressão,
que o tempo marcou,
tudo nada ficou.
Que não o paladar,
à luz duma temperança,
que a ilusão,
agridoce,
sempre parece,
e és.
Queiras,
ou não.

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