sábado, setembro 11, 2010

Já floresce


Não te olvides.
Com suavidade na veludez,
crua doçura,
nas pétalas,
que agregas,
e nos espartilhos de Luz,
que expandes.

Não te olvides,
nem postergues:
Hoje transparências és,
e elas te são,
moldadas à mão de ferro,
em barro nú,
dum sorriso frágil
à guarda dum Ser, 
alma de margaridas,
penumbras e solistícios.

Lembra-te,
Hoje é vertigem ,
amanha arrepio.
O Sul Norte,
Desconstruir plantar.
 O perfume,
que já floresce.

quarta-feira, agosto 25, 2010

no title.



Já nenhuma expressão ou grito

me pode demover.


Do Mar, em que me afogo

e só afogando vivo.


Do Sangue, em que me esvaio

e sem ele penso rejuvenesçer.


Da Saudade, minha boa tortura

e sentir crú e cruel.


Da Identidade, a que já não me apego,

e luz que silentemente se esvai,

no horizonte que não vejo nem sinto.


De Nada, Tudo que não é,

e que mantenho num lumbre,

dum aconchego já gélido, que amornece.

terça-feira, agosto 17, 2010

Nem se a mata


Alcanço-te num ápice.

À distância que não és,

materialidade enredada,

ilusão omnipresente.


Tomo-te por inteira.

Esquartejada e delapidada,

serenidade que era,

explosão de Saudade,

Que não quer morrer

nem Se a mata.


quarta-feira, agosto 11, 2010

Singular plural


Eu,
que nada sou,
quero ser conjugação,
num plural de ti.
Transmutação
de ADN uno e indivisível,
que matriz seja,
duma quietude velada
de paz etérea
de esgares feitos de respirares,
sófregos e docemente húmidos,
meu singular plural.

sexta-feira, julho 23, 2010

Sabes?




Sabes,

seguramente sabes,

porque eu próprio não sei.

De cego não passo,

de surdo não chego

e de mudo serei,

porque já é assim,

não sendo jamais.


Sabes,

que da dor farei alegria,

da presença distância,

das lágrimas gotas de champanhe,

da secura artificios de prazer,

regando tua alma,

velada já pela saudade

e esquecida pela veludez.


Sabes,

que no aconchego das minhas mãos,

caberá cada pó de areia,

do deserto que pizes ou esmagues,

e de cada deserto teu,

que em meu se transmutou.


Sabes,

Afinal, quero que saibas,

que no deserto que expando,

na luz que, de vez em quando, baça torno

e no mar que se agiganta,

és.

Sabes?


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